26 de novembro de 2010

Artigo recomendado



Eur J Anaesthesiol. 2010 Jul;27(7):586-91.

Adding regional analgesia to general anaesthesia: increase of risk or improved outcome?

Curatolo M.
Department of Anaesthesiology and Pain Therapy, University Hospital of Bern, Inselspital, Bern, Switzerland. michele.curatolo@insel.ch 

Abstract
Although it is clear that regional analgesia in association with general anaesthesia substantially reduces postoperative pain, the benefits in terms of overall perioperative outcome are less evident. The aim of this nonsystematic review was to evaluate the effect on middle and long-term postoperative outcomes of adding regional perioperative analgesia to general anaesthesia.

This study is based mostly on systematic reviews, large epidemiological studies and large or high-quality randomized controlled trials that were selected and evaluated by the author. The endpoints that are discussed are perioperative morbidity, cancer recurrence, chronic postoperative pain, postoperative rehabilitation and risk of neurologic damage.

Epidural analgesia may have a favourable but very small effect on perioperative morbidity. The influence of other regional anaesthetic techniques on perioperative morbidity is unclear. Preliminary data suggest that regional analgesia might reduce the incidence of cancer recurrence. However, adequately powered randomized controlled trials are lacking. The sparse literature available suggests that regional analgesia may prevent the development of chronic postoperative pain. Rehabilitation in the immediate postoperative period is possibly improved, but the advantages in the long term remain unclear. Permanent neurological damage is extremely rare.

In conclusion, while the risk of permanent neurologic damage remains extremely low, evidence suggests that regional analgesia may improve relevant outcomes in the long term. The effect size is mostly small or the number-needed-to-treat is high. However, considering the importance of the outcomes of interest, even minor improvement probably has substantial clinical relevance.

Fonte: EJA European Journal Anaesthesiology

24 de novembro de 2010

JCAHO Anesthesia Standards


JCAHO, or the Joint Commission, sets clinical industry standards for the administration of anesthesia, which is also referred to as sedation analgesia. Regulation was deemed necessary because anesthesia requires the reduction of consciousness to facilitate a medical procedure.

History
JCAHO recognized the need for a uniform policy for the administration of anesthesia after receiving reports in the early 1990s of 83 deaths associated with a drug called midazolam. Prescribed before the initiation of anesthesia to bring on drowsiness and relieve anxiety, midazolam is described by PubMed as a medication that can stop the ability to breathe.

Significance
JCAHO regulates all four levels of anesthesia. During minimal sedation, or anxiolysis, patients can respond to verbal cues. Under secondary sedation a patient may only be able to respond to touch. In deep sedation a patient only reacts to pain and requires airway intervention. Under general anesthesia a patient is completely unresponsive and requires both breathing and heart rate monitoring.

Standards
JCAHO standards call for a pre-anesthesia assessment, monitoring under sedation and discharge from post-anesthesia recovery by a licensed health care practitioner.

Fonte: eHow.com

17 de novembro de 2010

O blog Anestesia Segura na Revista da Saesp

A Revista da Saesp é uma publicação trimestral feita pela Sociedade de Anestesiologia do Estado de São PauloA Dra. Fabiane Cardia Salman recentemente concedeu uma entrevista para a publicação e falou a respeito do blog Anestesia Segura e da utilização das mídias sociais pelos anestesiologistas. 
Leia a matéria completa na edição 4/2010 (Out/Nov/Dez):
Blog Anestesia Segura - Revista da Saesp - Out/Nov/Dez 2010

11 de novembro de 2010

Analgesia e Segurança no Período Perioperatório


Dr. Maurício Nunes Nogueira
Fundador e Coordenador do Serviço de Terapia da Dor do Hospital Alemão Oswaldo Cruz

A importância do tratamento correto da dor
O tratamento da dor melhora a imunidade do paciente na recuperação imediata e a médio prazo, especialmente nos primeiros 30 dias de pós-operatório. Existem evidências na literatura de que o tratamento agressivo da dor pós-operatória ou de um episódio de dor aguda interfere no sistema imune do paciente, ao mantê-lo menos sujeito a infecções relacionadas à cirurgia e/ou infecções oportunistas. Estudos científicos sobre cirurgia de grande porte de ombro demonstraram que, principalmente em pacientes com idade acima de 65 anos, infecções oportunistas são menos comuns quando a dor pós-operatória é tratada intensivamente. A terapia analgésica correta também diminui o tempo de íleo paralítico pós-operatório, ao reduzir  a proliferação bacteriana no trato gastrointestinal e evitar sepses por translocação. 

Enfoque multimodal
A fisiopatologia da dor é multifatorial e complexa com liberação de várias substâncias. O mais lógico é a utilização de um esquema analgésico que atue nos diferentes níveis da dor e da resposta inflamatória, para o que são necessários agentes com diferentes mecanismos de ação. Nestes conceitos reside a multimodalidade da analgesia, de forma a reduzir a quantidade individual de cada medicamento, através dos efeitos aditivo e sinérgico entre os fármacos.

Efeito aditivo: Fármaco A aplicado juntamente com o Fármaco B tem ação igual à soma das ações das mesmas doses dos Fármacos A e B, quando administrados separadamente.
Efeito sinérgico: O Fármaco A aplicado juntamente com o Fármaco B tem ação maior que a soma das ações das mesmas doses dos Fármacos A e B quando administrados separadamente.

O enfoque multimodal possibilita uso de menores doses individuais de cada fármaco, minimizando os efeitos adversos potenciais. Para nós, que trabalhamos com dores aguda e crônica, não há discussão quanto à superioridade do enfoque multimodal. Portanto, é melhor utilizar três a quatro medicações analgésicas na prescrição do que apenas uma.

A agressão cirúrgica gera reações locais e sistêmicas pró-inflamatórias que facilitam a transmissão da dor. Um dos principais pilares desta reação é a produção local e no sistema nervoso central de prostaglandinas, que são os principais sensibilizadores dos nociceptores. A analgesia iniciada no intraoperatório tem como objetivo oferecer conforto ao paciente e inibir os reflexos nociceptivos, permitindo que ele respire adequadamente, possa realizar esforço de tosse e movimentar-se, o que vai diminuir  muito a morbimortalidade perioperatória. Assim, é preciso, que a abordagem da dor no intraoperatório também seja feita de uma maneira multimodal.

A base da analgesia pós-operatória tem sido a administração de opioides. Esse tipo de medicação associa-se ao aumento da incidência de náuseas, vômitos e/ou íleo paralítico. Nesses casos, o uso de opioides deve ser reduzido, optando-se por uma abordagem multimodal que inclua outras técnicas e medicamentos adjuvantes (AINE, cetamina, e outros), objetivando-se o retorno precoce da motilidade gastrointestinal.

Estudos realizados para determinar qual técnica anestésica determina melhor efeito na recuperação da função intestinal verificaram que a analgesia peridural realizada em nível torácico, apenas com anestésicos locais, causa um bloqueio segmentar simpático toracolombar, que deixa livre a influência parassimpática do nervo vago e das raízes sacras, as quais estimulam a motilidade intestinal e determinam um retorno precoce da função intestinal. A absorção sistêmica do anestésico local também influencia o retorno da motilidade intestinal, provavelmente por ação na musculatura lisa intestinal ou por redução do consumo de opioides. A analgesia peridural com opioides é menos efetiva do que a realizada com anestésicos locais, em termos de redução de íleo paralítico. Por outro lado, a analgesia sistêmica com opioides produz maior redução da motilidade gastrointestinal do que a analgesia peridural com opióides.

O uso de uma abordagem multimodal na analgesia pós-operatória, com a implantação de técnicas e drogas poupadoras de opioides: anestésicos locais, antagonistas de receptores NMDA (cetamina), agonistas adrenérgicos α2 (clonidina, dexmedetomidina), dipirona, antiinflamatórios (AINEs), corticóides  – servirão para reduzir a mortalidade do paciente, principalmente a pós-operatória, ainda mais, se aliada a fatores de recuperação acelerada, como alívio do estresse e mobilização precoce. A analgesia, a despeito de ser o principal fator, não é, por si só, capaz de acelerar a recuperação do paciente, mas é capaz de causar um imenso apoio psicológico.

Planejamento da analgesia no intraoperatório
Planejar a analgesia é tão importante quanto planejar a anestesia. Hoje sabemos que as analgesias intra e perioperatórias devem ser instaladas antes do início do trauma cirúrgico: analgesia preemptiva. A analgesia preemptiva significa a utilização de qualquer terapia analgésica administrada antes da lesão, seu objetivo é bloquear ou diminuir a intensidade do estímulo doloroso nas vias aferentes, evitando que ele alcance os neurônios nociceptivos centrais impedindo, assim, a sensibilização central, que é um mecanismo de amplificação da dor pós-operatória. Esta analgesia pode ser realizada em qualquer parte da via dolorosa:

  • Na periferia – com a utilização de agentes analgésicos e antiinflamatórios, que vão reduzir a intensidade da inflamação e da sensibilização periférica;
  • Na via de condução – com o emprego de anestésicos locais, que vão bloquear o influxo de estímulos ao sistema nervoso central;
  • Na medula espinhal – com a administração de opioides (que agem modulando a ação da substância P), anestésicos locais, clonidina ou cetamina (que vão modular a entrada do estímulo);
  • Nos centros superiores – com o uso de opioides por via sistêmica.
Esse planejamento, além de oferecer melhor qualidade de atendimento ao paciente, serve para integrá-lo ao programa multimodal. As medicações preemptivas com tratamento multimodal modificam as respostas fisiológicas em vários níveis, interceptam os estímulos nociceptivos, evitam o aumento da sensação dolorosa e bloqueiam ou diminuem a ativação do nociceptor. O anestesiologista deve fazer um planejamento individualizado da analgesia intraoperatória para cada paciente cirúrgico.

Fármacos utilizados na analgesia preemptiva
Na hiperalgesia primária e secundária:
Os fármacos utilizados na prevenção desta ocorrência são os analgésicos, antiinflamatórios (AINEs), corticóides, antagonistas de receptores NMDA (cetamina), agonistas adrenérgicos α2 (clonidina, dexmedetomidina), e os anestésicos locais empregados em bloqueios antes da incisão. A neuroplasticidade central ou alteração no sistema nervoso central amplificam a dor pós-operatória. Como no pós-operatório ocorrem os dois tipos de hipersensibilização, a analgesia preemptiva deve ser eficaz, dando-se preferência ao tratamento multimodal e promover um sinergismo de ação que interfira nos diferentes mecanismos da dor. É importante lembrar que fatores psicológicos, culturais, experiências anteriores de dor e ansiedade interferem na intensidade da dor pós-operatória; portanto, esta deve ser tratada com drogas específicas associadas à terapia multimodal.

A grande maioria dos anestesiologistas fica temerosa em utilizar uma analgesia mais agressiva no intraoperatorio, com a administração de opioide e/ou cetamina, por achar que o paciente vai permanecer por mais tempo sedado na sala cirúrgica, postergando sua saída para a sala de recuperação pós-anestésica. Na prática diária isto não é real, desde que o paciente não apresente comorbidades que irão contribuir para que tais fatos aconteçam.

Fatores que podem influenciar o planejamento da analgesia

  • Tipo de cirurgia
  • Expectativa de dor pós-operatória
  • Condição clínica pré-operatória
  • Risco/ benefício da técnica selecionada
  • Preferência do paciente
  • Experiência prévia com dor
A terapia analgésica deve ser sempre multimodal, ou seja, devemos sempre estimular a associação de dois ou mais agentes ou técnicas analgésicas (periférica ou central). Há sinergismo entre as técnicas analgésicas e também um importante efeito poupador de opioides. Sabemos que tais fármacos são a base da analgesia, mas, apesar do alívio da dor, produzem diversos efeitos indesejáveis.  A abordagem multimodal permite o uso de menores doses de opioides e, assim, a diminuição da incidência de efeitos adversos que retardam a recuperação dos pacientes, principalmente a depressão respiratória e o íleo paralítico. Portanto, deve-se sempre que possível estimular a associação de alguma técnica  regional, pois a analgesia regional é a que apresenta o melhor efeito em termos de redução do consumo de opioides e recuperação precoce. 

Regras práticas para uma boa analgesia intraoperatória
  • Planejar a analgesia;
  • Tratar a dor aguda, principalmente as de grande intensidade, descendo a escada analgésica da Organização Mundial de Saúde (OMS), começando mais agressivamente com as técnicas e drogas mais potentes e seguindo com as  mais fracas;
  • Não permitir que seu paciente sinta dor;
  • Acreditar no paciente – ele é quem sofre;
  • As doses devem ser individualizadas;
  • Combinar analgésicos racionalmente;
  • Analgésicos são apenas parte do tratamento;
  • Não esquecer as medicações adjuvantes, quando possível.
O tratamento da dor só é eficaz se sua avaliação for feita de maneira frequente e com registro contínuo.

Shir et al concluiu que “um bloqueio completo intraoperatório do sinal aferente para o SNC é fundamental para diminuir a dor pós-operatória.” Precisamos ter amplo conhecimento das modalidades terapêuticas disponíveis, para podermos selecionar a que mais se adapta a cada  paciente. Devemos usar drogas seguras e potentes de ação rápida, capazes de debelar a dor intensa rapidamente, e com meia-vida curta, o que evita o acúmulo delas, que é fator de risco para as complicações. No tratamento da dor aguda não se deve usar opioides de ação prolongada (ex. metadona), tampouco as formas de depósito (ex. fentanila transdérmico), justamente por terem cinética de absorção e eliminação prolongadas, que impedem a titulação de dose de modo rápido e seguro ficando o paciente mais suscetível à intoxicação ou com analgesia deficiente. No pós-operatório imediato (sala de recuperação) não existiria o risco de sensibilização central, visto que a analgesia programada para aquele porte cirúrgico foi iniciada antes do procedimento cirúrgico. O verdadeiro sucesso do tratamento da dor no intraoperatório está relacionado com a experiência prévia de cada anestesiologista, bem como no conhecimento das medicações e técnicas de analgesia e no acompanhamento do resultado delas na sala de recuperação pós-anestésica. Atualmente, não são muitos os anestesiologistas que valorizam a importância da reavaliação da dor de seus pacientes, tanto na sala de recuperação pós-anestésica, como no restante do período pós-operatório imediato.

8 de novembro de 2010

Introdução ao 7º Passo para a Anestesia Segura: Planejando a Analgesia


A analgesia adequada pode aumentar a segurança do paciente cirúrgico? 

Quando entendemos que segurança é a mitigação de riscos relacionados à assistência ao paciente fica mais fácil responder a esta pergunta, pois estudos demonstram que a dor provoca alterações a níveis autonômico, comportamental, imunológico e hemostático, aumentando a possibilidade de complicações no período perioperatório e consequentemente impactando na segurança do paciente. A analgesia inadequada interfere na recuperação pós-operatória e consequentemente no tempo de internação e nos custos assistenciais. 

Estudos demonstram que a realização de analgesia peridural associada à anestesia geral pode reduzir em até 40% o risco de infecção pulmonar no período pós-operatório de cirurgias de grande porte. Dados disponíveis de pesquisas mais recentes sugerem que a anestesia regional e a adequada analgesia possuem impacto nos resultados cirúrgicos a longo prazo de pacientes oncológicos, pois ajudam a preservar as defesas naturais do organismo contra a progressão tumoral pela atenuação da resposta inflamatória e por reduzir a necessidade de analgésicos intra e pós-operatórios. 

O adequado tratamento da dor no pós-operatório não é apenas uma questão fisiopatológica, é também uma questão ética e econômica. Melhor controle da dor evita sofrimento desnecessário, proporciona maior satisfação do doente com o atendimento, melhora a relação médico-paciente e reduz os custos relacionados a possíveis complicações que determinam maiores períodos de internação, como, por exemplo, a infecção hospitalar. Com os estudos mais recentes temos verificado a sua importância no resultado para o paciente (saúde) a longo prazo, o que tem gerado o entendimento da necessidade de monitoramento de complicações com nexo causal com a analgesia/anestesia por um período maior. Se décadas atrás a anestesia terminava quando “o gás era desligado” ainda em sala operatória, com os estudos mais recentes, temos verificado que o seu impacto pode se estender até por anos/décadas. 

Nas próximas semanas vamos publicar um texto relacionado ao planejamento da analgesia pós-operatória e segurança do paciente, escrito pelo Dr. Maurício Nunes Nogueira, coordenador do Serviço de Terapia da Dor do Hospital Alemão Oswaldo Cruz/SMA. Vamos incluir também artigos considerados referência no assunto a nível internacional que abordam a importância do controle da dor para a minimização de complicações e também alguns riscos associados à utilização de “alta tecnologia” em analgesia, o PCA (Patient Controlled Analgesia). 

Boa leitura!
Dra. Fabiane Cardia Salman

4 de novembro de 2010

Physician Revives a Dying Art: The Physical

TEACHING AND TREATING At Stanford University, Dr. Abraham Verghese is on a mission to bring back something he considers a lost art: the physical exam.

By DENISE GRADY
Published: October 11, 2010

STANFORD, Calif. — For a 55-year-old man with a bad back and a bum knee from too much tennis, Dr. Abraham Verghese was amazingly limber as he showed a roomful of doctors-in-training a twisting, dancelike walk he had spied in the hospital corridor the day before.

He challenged them to diagnose it. Hemiplegia? Sensory ataxia? Chorea? Spastic diplegia?

“It would be a shame to have someone with a gait that’s diagnostic, and yet we can’t recognize it,” he said.

It was their introduction to a rollicking workshop on abnormal gaits that soon had them shuffling, staggering and thrashing about, challenging one another. Parkinson’s? Neuropathy? Stroke?

Dr. Verghese (ver-GEESE) is the senior associate chairman for the theory and practice of medicine at Stanford University. He is also the author of two highly acclaimed memoirs, “My Own Country” and “The Tennis Partner,” and a novel, “Cutting for Stone,” which is now a best seller.

At Stanford, he is on a mission to bring back something he considers a lost art: the physical exam. The old-fashioned touching, looking and listening — the once prized, almost magical skills of the doctor who missed nothing and could swiftly diagnose a peculiar walk, sluggish thyroid or leaky heart valve using just keen eyes, practiced hands and a stethoscope.

Art and medicine may seem disparate worlds, but Dr. Verghese insists that for him they are one. Doctors and writers are both collectors of stories, and he says his two careers have the same joy and the same prerequisite: “infinite curiosity about other people.” He cannot help secretly diagnosing ailments in strangers, or wondering about the lives his patients lead outside the hospital.

“People are endlessly mysterious,” he said in an interview in his office at the medical school, where volumes of poetry share the bookshelves with medical texts, family photos and a collection of reflex hammers.

His sources of inspiration include W. Somerset Maugham and Harrison’s Principles of Internal Medicine. In addition to his medical degree, he has one from the writing workshop at the University of Iowa.

He is out to save the physical exam because it seems to be wasting away, he says, in an era of CT, ultrasound, M.R.I., countless lab tests and doctor visits that whip by like speed dates. Who has not felt slighted by a stethoscope applied through the shirt, or a millisecond peek into the throat?

Some doctors would gladly let the exam go, claiming that much of it has been rendered obsolete by technology and that there are better ways to spend their time with patients. Some admit they do the exam almost as a token gesture, only because patients expect it.

Medical schools in the United States have let the exam slide, Dr. Verghese says, noting that over time he has encountered more and more interns and residents who do not know how to test a patient’s reflexes or palpate a spleen. He likes to joke that a person could show up at the hospital with a finger missing, and doctors would insist on an M.R.I., a CT scan and an orthopedic consult to confirm it.

Dr. Verghese trained before M.R.I. or CT existed, in Ethiopia and India, where fancy equipment was scarce and good examination skills were a matter of necessity and pride. He still believes a thorough exam can yield vital information and help doctors figure out which tests to order and which to skip — surely a worthwhile goal as the United States struggles to control health care costs, he said.

A proper exam also earns trust, he said, and serves as a ritual that transforms two strangers into doctor and patient.

“Patients know in a heartbeat if they’re getting a clumsy exam,” he said.

He has lectured and written about the erosion of examination skills, and his ideas have resonated with many doctors.

Stanford recruited him in 2007, in large part because of his enthusiasm for teaching the exam. He seized the bully pulpit.

“Coming from here, it’s taken more seriously,” he said.

With colleagues, he developed the Stanford 25, a list of techniques that every doctor should know, like how to listen to the heart or look at blood vessels at the back of the eye. The 25 are not the only exams or even the most important ones, he emphasizes — just a place to start.

Medical School, Interrupted

At times, Dr. Verghese said, he feels almost embarrassed by all the interest in his work, because the exam techniques he is teaching are nothing more than the same ones he learned in Ethiopia and India decades ago.

Two days a week he hides out to write, in a secret office that was part of the deal he made when Stanford recruited him. His name is not even on the door; he left the names of the previous occupants. There is no land line.

Like Dr. Marion Stone, the main character in “Cutting for Stone,” Dr. Verghese was born in Ethiopia. His parents were teachers from Kerala, a state in southern India. His mother had newspaper articles published there about life in Ethiopia. The family’s expectations were high.

“You were a doctor, engineer, lawyer or a failure,” Dr. Verghese said. He was always drawn to literature, but never imagined he could make living at it.

He left Ethiopia at 15 for two years of premedical studies in Madras, India, and then returned to Addis Ababa for medical school. By then his parents, worried about Ethiopia’s stability, had moved to the United States. But he had no desire to leave.

“I loved that land,” he recalled.

The medical training was rigorous. Students spent a year dissecting a cadaver, and then had to pass grueling essay exams.

“It was almost brutal,” he said. “But it left us changed in some fundamental way, like formatting a disk.”

Medical students in the United States today spend far less time studying anatomy — too little to learn it well, he said, shaking his head.

Civil war broke out in Ethiopia in 1974. Emperor Haile Selassie was deposed, and the military took over. During Dr. Verghese’s third year of medical school, the university was shut down. Soldiers were everywhere. A curfew was imposed, and troops patrolled at night in jeeps with mounted machine guns. Corpses lay in the streets. As a citizen of India, he was a foreigner, and it was time to get out. He joined his parents in Westfield, N.J.

America excited him. But he was a young man used to being on his own, thrust back into a small house with his parents, who urged him to finish his medical studies. He would have to start from scratch, earning a bachelor’s degree and then applying to medical schools, even though he already had more than two years of medical training.

He took a night job as a hospital orderly. He liked earning a paycheck, and he bought a used car, hung out with nurses and orderlies, and dated an American girl.

“I could see my blue-collar life starting to unfold,” he said. “I’d marry a Jersey girl, we’d live in an apartment someplace and take vacations in the Poconos when we could afford it.”

He lost his way during that period, he says, and it made him the black sheep of the family.

A Passionate Return to Training

Then one night at work he had an epiphany. He picked up a book that a medical student had left behind, the Harrison textbook. It’s a medical school classic, the same book he had studied in Ethiopia. He realized how much he had already invested in medicine, and what he would be throwing away if he did not resume his training. He finished medical school in India, and then did his residency in the United States, specializing in internal medicine and infectious disease.

He worked in Tennessee during the early days of the AIDS epidemic, before there were any effective treatments. Before AIDS, he said: “I must have been a conceited ass, full of knowledge. AIDS humbled a whole generation.”

He came to know many of his patients and their families. He visited their homes, attended their deaths and their funerals. One patient, near death, awoke when Dr. Verghese arrived, and opened his shirt to be examined one last time.

“It was like an offering,” Dr. Verghese said, with tears in his eyes. “To preside over the bed of a dying man in his last few hours. I listen, I thump, I don’t even know what I’m listening for. But doing it says: ‘I will never leave you. I will not let you die in pain or alone.’ There’s not a test you can offer that does that.”

His long hours and intense involvement with his patients led to his first book, “My Own Country,” but also drained him and contributed to the failure of his first marriage. Still, it was not a mistake to get so close, he insists.

“I’ve never bought this idea of taking a therapeutic distance,” he said. “If I see a student or house staff cry, I take great faith in that. That’s a great person, they’re going to be a great doctor.”

He met his present wife, Sylvia, in El Paso, where she had started a ministry to help people with AIDS. Their son, Tristan, is 12. Dr. Verghese also has two grown sons, Jacob and Steven, from his first marriage.

The Next Generation

Making hospital rounds with students, Dr. Verghese is in his element. He is impeccably dressed under the white coat, in a crisp dress shirt, pale silk tie and sharply pressed pants. His hair has made its retreat, and what remains is trimmed too close to hide the hearing aids that he has reluctantly begun to wear. He loves being in the wards, he says. It is the only place where his back does not ache.

On a morning in August, he peppered four students with rapid-fire questions, mini-lectures on science and the history of medicine, pointers on presenting cases, and jokes that made them roll their eyes or laugh, or both.

“What can alcohol do to the nervous system?” he asked. Damage the cerebellum, said one. Cause seizures, said another. “Come on, I want 10,” Dr. Verghese said, insistent but not bullying.

“What’s the most important part of the stethoscope?” They stared at him. “The part between the earpieces.” They moaned.

Striding down the corridor, he told them about an unusual condition that produces silver-colored stools.

“You’ll be so impressed you’ll want to take them home,” he said.

With a group of third-year medical students, he waited until they had taken their places around a patient’s bed, then asked them to turn their backs and look away.

What had they noticed on the bedside table? A lunch tray? A book? Clues to whether the patient could eat, whether he was alert? Did he look comfortable? Or did he seem to be in pain?

“What if the patient says, ‘Whatever you do, Doc, don’t bump the bed’?” Dr. Verghese asked, bumping the bed with his hip. “Consider peritonitis.”

The patient, a man in his 80s, grinned, enjoying the show, and seemed pleased to let the students practice palpating his spleen and percussing his lungs.

“Name five things that are better outside the body than in,” he asked, not mentioning that the answer appears in his novel: fluids, fetuses, foreign bodies, feces and flatus.

As they headed to the next room, Dr. Verghese told the students: “We’re going to walk these corridors and I’m going to ask you if you notice anything unusual. I’m going to ask you about someone I see along the way. Peek into patients’ rooms as you go by.”

They gathered around the next patient, leaning in close as Dr. Verghese pointed out signs of facial weakness — inability to raise the eyebrows, a lip that rose more on one side than the other when Dr. Verghese asked to see the patient’s teeth, one eye that blinked more often than the other.

In the corridor, he said, “Here’s your question: What about the lady in the next bed?”

As she had watched them walk by, only one of her eyes had moved. Just a few of the students had noticed.

“You can’t show up at the bedside and then turn on your skills,” he said. “You have to keep your game sharp all the time.”

Outside another patient’s room, he had a group of interns and residents palpating their own thighs as he showed them a technique for finding the right place to stick the needle when culturing an abscess.

“Wow!” said one of the group, whose needle had recently missed its mark. “Amazing. This is great.”

Dr. Verghese smiled. “I am here to astound you,” he said.

This article has been revised to reflect the following correction:


Correction: October 13, 2010
An article on Tuesday about Dr. Abraham Verghese, a Stanford medical professor who emphasizes the importance of physical examinations, referred incorrectly to Kerala, in southern India, where his parents came from, and to the prevalence of Christianity there. Kerala is a state, not a region, and although Christianity is prominent in some parts, the state is not predominantly Christian.

Artigo originalmente publicado no The New York Times

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