27 de setembro de 2010

2 de setembro de 2010

6º Passo para a Anestesia Segura: Planejando o Acesso à Via Aérea


Por Dra. Fabiane Cardia Salman
Comitê de Qualidade e Segurança - SMA

Discutir o sexto Passo do Programa 10 Passos para a Anestesia Segura é fundamental quando buscamos prevenir eventos catastróficos oriundos de manejo inadequado de pacientes com via aérea difícil. Já dizia o meu emérito instrutor na Santa Casa de São Paulo, dr. Flavio Edson de Sylos (ex-presidente da SAESP - 1963): “o primeiro mandamento da anestesia é manter a Oxigenação”. E, como todo bom “professor”, fazia com que os residentes declamassem, sem errar, os 10 Mandamentos da Anestesia. Naquele tempo (1997) pouco se falava em segurança em anestesia no Brasil e indicadores para mensuração de resultados, mas com certeza o dr. Flavio buscava, com os Mandamentos da Anestesia, diminuir os riscos dos nossos pacientes e promover a cultura de segurança entre os residentes.

A hipóxia, consequência comum em falhas no manejo das vias aéreas, pode causar danos cerebrais irreversíveis em 5 minutos. Assim, garantir o acesso efetivo à via aérea torna-se fundamental, pois o resultado é dependente de tempo (“Time is brain”) e pode demonstrar-se potencialmente fatal, tornando-se esta tarefa muito estressante e crítica.

O Crisis Resource Management (CRM) tem sido uma ferramenta bastante utilizada no manejo de situações críticas na área da Saúde. Em anestesiologia, tem se buscado a sua aplicação principalmente no manejo de via aérea difícil. Podemos entendê-lo como uma forma de sistematizar os “Mandamentos” do dr. Flavio.

Stanford University Medical Center, USA, tem sido a precursora na utilização do  CRM em Anestesiologia, desenvolvendo o Anesthesia Crisis Resource Management (ACRM), um programa baseado na utilização de simulação, comunicação e desenvolvimento cognitivo da equipe multiprofissional.


A condução bem sucedida da anestesia requer mais do que o conhecimento médico dos guidelines e das suas habilidades técnicas. O controle efetivo das situações que surgem, o “gerenciamento de crises” é realizado por meio de seu conhecimento cognitivo e atitudes em situações críticas. Os seus princípios estão em torno da identificação e uso efetivo de uma variedade de recursos que estão disponíveis na sala de operação.

Como metodologia reconhecida e recomendada internacionalmente, apresentaremos o CRM nos próximos artigos indicados aqui no blog Anestesia Segura. Vamos postar também neste mês os Guidelines da American Society of Anesthesiologists (ASA) e da Difficult Airway Society (DAS – Reino Unido) que apresenta algoritmos bastante interessantes focados na dificuldade de intubação e ventilação ("can't intubate, can't ventilate" situation).

A proposta do Sexto Passo do Programa 10 Passos para a Anestesia Segura é abordar algumas das situações mais temidas pelos anestesiologistas e pelo dr. Flavio (um dos mandamentos era a avaliação de via aérea): a dificuldade de ventilação, a intubação impossível e a consequente hipoxemia grave. Apresentaremos o tema com artigos atuais e considerados referência no assunto, lembrando que a contribuição dos leitores e a troca de experiências são fundamentais para o desenvolvimento do Programa. Participe!

Referências:

BERWICK DM. Patient safety: lessons from a novice. Adv Neonatal Care 2002; 2: 121–122.
WILLIAMSON JA, WEBB RK, SELLEN A, et al. The Australian incident monitoring study. Human failure: na analysis of 2000 incident reports. Anaesth Intensive Care 2000; 21: 678–683.
DIECKMANN P, RALL M. Safety culture and crisis resource management in airway management: General principles to enhance patient safety in critical airway situations. Best Practice & Research Clinical Anaesthesiology Vol. 19, No. 4, pp. 539–557, 2005.
BERKOW LC. Strategies for airway mangement. Best Pract Res Clin Anaesthesiol 2004; 18: 531–548.
GABA DM, FISH KJ & HOWARD SK. Crisis Management in Anesthesiology. New York: Churchill Livingstone 1994.
FLIN R, FLETCHER G, MCGEORGE P, et al. Anaesthetists’ attitudes to teamwork and safety. Anaesthesia 2003; 58: 233–242.

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