3 de agosto de 2010

5º Passo: Checagem de Segurança Anestésica 3M: Medicamentos, Materiais e "Máquinas"




Iniciamos o quinto passo do programa “Segurança no Período Perioperatório: 10 Passos para a Anestesia Segura” com uma discussão acerca de uma preocupação mundial: a segurança relacionada a medicamentos.

Estudo realizado nos Estados Unidos demonstrou que a cada ano ocorrem no país 10 mil lesões causadas por erros relacionados à administração inadvertida de medicamentos com nomes semelhantes, que chamamos de “Sound Alike” (CHADWICK, 2004).

Foi verificado que aproximadamente 29% dos erros relacionados a medicamentos são resultado da incapacidade de identificar com precisão a droga que será administrada (LEAPE, 2005).

São citados abaixo alguns exemplos de medicamentos com nomes semelhantes que apresentam riscos em anestesia e/ou no período perioperatório, de acordo com a lista do ISMP (Institute for Safe Medication Practices):

- Fentanil / Alfentanil/ Sufentanil (Look-alike e Sound-alike - LASA)
- Fastfen ®/ Fentanest ®
- Losec ® / Lasix ®
- Narcan ® / Norcuron ®
- Nimbium ®/ Nubain ®
- Keflin ®/ Quelicin ®
- Benadryl ®/ benazepril
- Humalog ®/ Humulin ®

Os principais fatores de risco que contribuem para os erros na dispensação, preparo e administração dos medicamentos de acordo com o ISMP (Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos - Institute for Safe Medication Practices) são:
  • Os nomes dos medicamentos possuem sons semelhantes quando pronunciados e embalagens/ rotulagens similares;
  • Os medicamentos são armazenados próximos nas unidades de internação e/ou nas farmácias (central/ satélites);
  • Os medicamentos têm a mesma dose de administração (por exemplo, 100mg, 1g);
  • Os medicamentos têm os mesmos intervalos/ frequência de administração;
  • Os medicamentos têm usos/ indicações clínicas semelhantes;
  • Os medicamentos são administrados por mesma via (oral, intramuscular, intravenosa);
  • As prescrições médicas são ilegíveis, de difícil compreensão e geram dubiedade;
  • Os profissionais têm pouco conhecimento dos nomes comerciais e princípios ativos dos medicamentos;
  • Estão disponíveis inúmeros medicamentos/ apresentações na instituição e são lançados constantemente novos medicamentos/ produtos com sonoridade e aparência semelhantes no mercado;
  • Os fabricantes e as autoridades reguladoras não realizam avaliações rigorosas dos riscos potenciais dos medicamentos quanto a sua aparência e sonoridade e reavaliação sistemática dos novos medicamentos lançados. Examples of confused drug names in Canada include Celebrex (celecoxib) and Cerebyx (fosphenytoin); and Losec (omeprazole) and Lasix (furosemide). 
Perante este contexto, o Centro Colaborador da OMS para a Segurança do Paciente e o ISMP propõem algumas estratégias para a redução dos riscos relacionados a medicamentos que devem ser adotadas pelas instituições de saúde:
  • Garantir a identificação e o gerenciamento ativo dos riscos associados a medicamentos LASA;
  • Revisar anualmente a lista de medicamentos LASA usados e padronizados em sua organização;
  • Implementar de protocolos/ políticas que minimizem o uso de ordens verbais e telefônicas;
  • Enfatizar a necessidade de ler atentamente o rótulo cada vez que um medicamento é preparado e novamente antes da administração, ao invés de depender de reconhecimento visual (cor, marca, etc), localização ou outras características menos específicas;
  • Enfatizar a necessidade de confrontar a indicação clínica do medicamento com o diagnóstico e necessidades do paciente, principalmente em casos de medicamentos/ drogas LASA ou de alto risco/ vigilância;
  • Incluir o nome do princípio ativo e da marca nos estoques dos medicamentos e suas etiquetas, utilizando uma denominação comum em toda a instituição;
  • Desenvolver estratégias para evitar a confusão ou má interpretação causadas por ilegibilidade nas prescrições médicas;
  • Exigir a identificação dos medicamentos preparados em seringas com nome, dosagem, concentração e data de preparo. No caso das bolsas de soro, a velocidade de infusão (ml/hora), via e tempo de infusão também devem ser registrados. Devem ser incluídas informações referentes à identificação do paciente (Nome completo e SAME, por exemplo), minimizando o risco de troca de paciente;
  • Armazenar medicamentos de alto risco ou alta vigilância em locais separados ou em ordem não-alfabética, em prateleiras ou em aparelhos automáticos de distribuição.
  • Utilizar técnicas como negrito e diferenças de cores para reduzir a confusão associada com o uso de nomes LASA nos rótulos dos locais de armazenamento e prateleiras, telas de computador, dispositivos automáticos de distribuição e registros da administração de medicamentos (prescrição);
  • Desenvolver estratégias para envolver os pacientes e seus cuidadores na redução dos riscos, fornecendo informações sobre medicamentos por escrito, incluindo a indicação de medicamentos e os efeitos colaterais da medicação;
  • Desenvolver estratégias para assistir os pacientes com deficiência visual, as diferenças de linguagem e conhecimento limitado dos cuidados de saúde;
  • Revisar no momento da alta todos os medicamentos prescritos ao paciente, confirmando as indicações, interações e aparência esperada/ possível, especialmente nos casos sabidamente problemáticos;
  • Assegurar que todas as etapas do processo de gestão de medicamentos são realizadas por pessoas qualificadas e treinadas.
Outra proposta da ISMP para diminuir os riscos relacionados a medicamentos é a inclusão da educação sobre medicamentos LASA e seus riscos nos currículos de ensino, orientação e desenvolvimento profissional contínuos dos profissionais de saúde.

Referências:

ADM Opening Remarks - Look-Alike Sound-Alike (LA/SA) Health Product Names - Consultative Workshop, October 20, 2003. Available at http://www.hc-sc.gc.ca/hpfbdgpsa/tpd-dpt/index_activities_consultation_e.html.





CHADWICK M. “Look-alike Sound-alike (LA/SA) Health Product Names: Developing a Common Understanding” – Consultative Workshop, Chateau Cartier Resort Gatineau, QC, Canada, October 20-21, 2003. Available at http://www.hcsc.gc.ca/hpfb-dgpsa/bgtd-dpbtg/m_chadwick_oct20_e.html.

CURRIE M, MACKAY P, MORGAN C, RUNCIMAN WB, RUSSELL WJ, SELLEN A, WEBB RK, WILLIAMSON JA. The Australian Incident Monitoring Study. The "wrong drug" problem in anaesthesia: an analysis of 2000 incident reports. Anaesth Intensive Care. 1993 Oct;21(5):596-601.

JENSEN LS, MERRY AF, WEBSTER CS, WELLER J, LARSSON L. Evidence-based strategies for preventing drug administration errors during anaesthesia. Anaesthesia. 2004 May; 59(5):493-504.

LEAPE L, BATES DW, COLLEN DJ et al., "Systems analysis of adverse drug events," JAMA, 1995; 274:35-43.

YAMAMOTO M, ISHIKAWA S, MAKITA K. Medication errors in anesthesia: an 8-year retrospective analysis at an urban university hospital. J Anesth. 2008;22(3):248-52.

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