15 de abril de 2010

Continuação do 2º Passo: Highlights 1 a 3

Fonte: Avaliação Pré-anestésica em Crianças - Ana Cíntia Carneiro Leão, Débora de Oliveira Cumino e Emília Aparecida Valinetti. Educação Continuada – Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) – texto extraído parcialmente.

Conforme explicamos no post anterior, o passo Avaliação Pré-Anestésica em Pacientes Pediátricos foi dividido em 10 highlights. Hoje apresentamos os 3 primeiros:

1. Avaliação criteriosa dos antecedentes maternos e neonatais, buscando rastrear problemas potencialmente graves e que podem interferir no procedimento anestésico, como por exemplo, na Tabela 1.



Atenção às peculiaridades de pacientes prematuros. A prematuridade pode estar associada à apneia, anemia, depressão perinatal, hipoglicemia, hipocalcemia, hipomagnesemia, hiperbilirrubinemia, policitemia, infecção viral, trombocitopenia, anomalias congênitas, entre outras (Tabela 2).

Os neonatos prematuros são os que nascem com menos de 37 semanas de gestação. Podemos classificá-los em:
  • limítrofes – nascidos entre 36 e 37 semanas
  • moderados – nascidos entre 31 e 35 semanas
  • graves – nascidos entre 24 e 30 semanas

2. Anemia e Sistema Hematopoiético: É controversa a realização de cirurgias eletivas em crianças anêmicas; deve-se considerar o tipo e porte cirúrgico e a emergência em realizar o procedimento. Muitos anestesiologistas pediátricos recomendam um hematócrito acima de 25%, mas em algumas circunstâncias especiais (como exemplo a anemia fisiológica entre o 2° e 4° mês de vida), hematócritos menores são aceitáveis em neonatos a termo e AIG (adequado para a idade gestacional). Se existe perspectiva de sangramento intra-operatório, a causa da anemia deve ser investigada, tratada, e o procedimento cirúrgico eletivo postergado até o restabelecimento do hematócrito.

3. Sistema Respiratório e Infecções das vias aéreas superiores (IVAS): a grande maioria das complicações respiratórias durante a anestesia ocorre por ventilação inadequada. Dentre os incidentes respiratórios, a hipóxia e o laringoespasmo são responsáveis por mais de um terço das complicações respiratórias, a via aérea difícil por 13% e o broncoespasmo por 7%. As infecções das vias aéreas superiores têm alta incidência e prevalência nas crianças abaixo de 2 anos de idade, ocorrendo de 5 a 10 episódios por ano, principalmente nas que se submetem a procedimentos otorrinolaringológicos (10). É extremamente importante diferenciar os processos virais dos de etiologia não-infecciosa, como as rinites alérgicas ou vasomotora, que não geram tantas alterações respiratórias como os processos infecciosos. Por outro lado, quando a rinorréia é um sintoma de infecção das vias aéreas superiores deve-se adiar os procedimentos eletivos (Quadro 1). A avaliação pré-anestésica necessita de uma história completa, exame físico e, ocasionalmente, a interpretação de exames laboratoriais, porém, sem dúvida, a história clínica é o elemento mais importante para estabelecer o diagnóstico diferencial. Usualmente, os pais informam bem sobre a rinorréia das crianças, se é algo habitual ou parte de um quadro infeccioso que necessita postergar o procedimento eletivo. Questões sobre sinais e sintomas, como fadiga, apatia, diminuição do apetite, alterações do sono, presença de secreção purulenta nas vias aéreas superiores, broncoespasmo, estertores pulmonares, temperatura acima de 38oC, auxiliam a diferenciar um quadro agudo de uma condição crônica.


Referências Bibliográficas:
10. PUSCH F, WILDING E, GRABNER CM. Principles in peri-operative paediatric medicine. Anesthesia,1998;53(suppl 2):69-72.

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