30 de março de 2010

Resultado e Análise Crítica da enquete sobre Higienização das Mãos


Durante a veiculação do Primeiro Passo do Projeto “Anestesia Segura” foi aplicada uma enquete relacionada à utilização de álcool gel. Verificamos que 57% dos respondentes afirmou sempre utilizar o álcool gel e 30 % usam “de vez em quando”. Analisando de forma crítica estes dados, observamos que os anestesistas que responderam à esta enquete atuam em hospitais que disponibilizam no Centro Cirúrgico o álcool gel, o que não corresponde à realidade nacional e internacional.


Para refletir: Foi publicado um artigo no periódico Annals of Clinical Microbiology and Antimicrobials, de janeiro de 2008, analisando a eficácia do álcool gel contendo etanol 85% (v/v) como antisséptico para limpeza das mãos, sendo feito o desafio contra cepas de referência, sendo 16 Gram-negativas e 11 Gram-positivas, e cepas patogênicas isoladas na rotina de diversos hospitais, muitos destes resistentes a antibióticos. Foram realizados testes in vitro, nos quais uma suspensão dos microrganismos a serem avaliados foi inoculada diretamente no álcool gel sob agitação constante e à temperatura ambiente. Após 15 segundos foi retirada uma alíquota desta mistura, a qual foi neutralizada, diluída de forma seriada e então plaqueada em meios específicos para o crescimento dos microrganismos testados. O parâmetro de eficácia foi uma comparação entre a contagem original da suspensão e a contagem obtida após a exposição ao álcool gel. Todos os testes foram realizados em quadruplicata, sendo que no artigo constava apenas o menor resultado de diminuição de contagem encontrado em cada caso avaliado.

Tabela 1: Redução, em log, da contagem de microrganismos (adaptado de KAMPF & HOLLINGSWORTH, 2008)

Os resultados obtidos neste teste demonstraram uma redução mínima de 5 log na contagem dos microrganismos, em alguns casos atingindo 7 log de redução. Apesar da avaliação in vitro não ser o fator crítico para determinação da eficácia, sendo esta realizada em  condições práticas de higienização das mãos, tal resultado é interessante pois existem artigos que demonstram que preparações de gel contendo 70% de álcool falharam em obter uma redução significativa dos microrganismos, sendo assim um excelente indicativo para uma reflexão na hora de selecionar um produto para desinfecção.

Este estudo demonstra que a higienização das mãos é somente uma das ações para o combate da infecção hospitalar pós-operatória. O uso de luvas, a padronização da assepsia e antissepsia em procedimentos invasivos e a administração racional de antibióticos são algumas condutas que devem fazer parte do nosso dia a dia.

KAMPF, G.; HOLLINGSWORTH, A. Comprehensive bactericidal activity of an ethanol-based hand gel in 15 seconds. Annals of Clinical Microbiology and Antimicrobials, v. 7, nº 2, 2008. Disponível online em:
< http://www.ann-clinmicrob.com/content/7/1/2 >.

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