30 de março de 2010

Resultado e Análise Crítica da enquete sobre Higienização das Mãos


Durante a veiculação do Primeiro Passo do Projeto “Anestesia Segura” foi aplicada uma enquete relacionada à utilização de álcool gel. Verificamos que 57% dos respondentes afirmou sempre utilizar o álcool gel e 30 % usam “de vez em quando”. Analisando de forma crítica estes dados, observamos que os anestesistas que responderam à esta enquete atuam em hospitais que disponibilizam no Centro Cirúrgico o álcool gel, o que não corresponde à realidade nacional e internacional.


Para refletir: Foi publicado um artigo no periódico Annals of Clinical Microbiology and Antimicrobials, de janeiro de 2008, analisando a eficácia do álcool gel contendo etanol 85% (v/v) como antisséptico para limpeza das mãos, sendo feito o desafio contra cepas de referência, sendo 16 Gram-negativas e 11 Gram-positivas, e cepas patogênicas isoladas na rotina de diversos hospitais, muitos destes resistentes a antibióticos. Foram realizados testes in vitro, nos quais uma suspensão dos microrganismos a serem avaliados foi inoculada diretamente no álcool gel sob agitação constante e à temperatura ambiente. Após 15 segundos foi retirada uma alíquota desta mistura, a qual foi neutralizada, diluída de forma seriada e então plaqueada em meios específicos para o crescimento dos microrganismos testados. O parâmetro de eficácia foi uma comparação entre a contagem original da suspensão e a contagem obtida após a exposição ao álcool gel. Todos os testes foram realizados em quadruplicata, sendo que no artigo constava apenas o menor resultado de diminuição de contagem encontrado em cada caso avaliado.

Tabela 1: Redução, em log, da contagem de microrganismos (adaptado de KAMPF & HOLLINGSWORTH, 2008)

Os resultados obtidos neste teste demonstraram uma redução mínima de 5 log na contagem dos microrganismos, em alguns casos atingindo 7 log de redução. Apesar da avaliação in vitro não ser o fator crítico para determinação da eficácia, sendo esta realizada em  condições práticas de higienização das mãos, tal resultado é interessante pois existem artigos que demonstram que preparações de gel contendo 70% de álcool falharam em obter uma redução significativa dos microrganismos, sendo assim um excelente indicativo para uma reflexão na hora de selecionar um produto para desinfecção.

Este estudo demonstra que a higienização das mãos é somente uma das ações para o combate da infecção hospitalar pós-operatória. O uso de luvas, a padronização da assepsia e antissepsia em procedimentos invasivos e a administração racional de antibióticos são algumas condutas que devem fazer parte do nosso dia a dia.

KAMPF, G.; HOLLINGSWORTH, A. Comprehensive bactericidal activity of an ethanol-based hand gel in 15 seconds. Annals of Clinical Microbiology and Antimicrobials, v. 7, nº 2, 2008. Disponível online em:
< http://www.ann-clinmicrob.com/content/7/1/2 >.

25 de março de 2010

Convite 45ª JOSULBRA - Jornada Sulbrasileira de Anestesiologia - Qualidade e Anestesia








Prezados colegas,

Chamamos sua atenção para o Simpósio de Qualidade que está inserido no programa da 45ª Jornada Sul Brasileira de Anestesiologia, que acontece entre os dias 30 de abril e 2 de maio de 2010, em Curitiba.

A Gestão da Qualidade está baseada na filosofia de melhoria contínua criada na época do pós-guerra no Japão. Os valores pregados por esta filosofia geraram metodologias e ferramentas que atualmente são usadas no mundo todo, nas mais diversas áreas de atuação, capazes de gerar mudanças e, sempre que possível, por meio de evidências estatísticas, comprovar que essas mudanças resultam em melhorias que beneficiam a vida de todos os envolvidos.

Assim como nas demais áreas do conhecimento humano, a evolução da Medicina tem nos reservado situações inovadoras, e que podem ir muito além do “diagnosticar e tratar”. No contexto atual de nossa profissão, os serviços ditos de Saúde se tornaram não apenas mais complexos, dimensionados racionalmente em suas especificidades, mas também e, por isto mesmo, mais cobrados por aqueles que dele fazem uso para que se tornem cada vez mais eficazes. Este processo inclui renovações estruturais e operacionais que têm sido buscadas e implantadas, no intuito de atender às expectativas do cidadão que se revela, cada vez mais, exigente e cioso dos seus direitos.

Para satisfatoriamente atender aos questionamentos da sociedade como um todo, um novo horizonte de esperanças vem se delineando, com a implantação de programas de Qualidade também na Medicina. Este programa se apresenta como um poderoso instrumento de cidadania, conduzindo médicos e outros profissionais envolvidos nos cuidados do paciente à promoção de serviços orientados para resultados e preparados para responder às demandas sociais. O conjunto de ações desencadeadas pela implantação de um programa de qualidade torna, certamente, a prática da Medicina mais eficaz e mais segura.

Com o objetivo de estimular a discussão ampla e bem embasada, e vislumbrando um caminho próximo e irreversível na busca da Qualidade não só na Medicina, mas também na especialidade da Anestesiologia, a Comissão Organizadora da 45ª JOSULBRA optou por definir como o tema central de nossa Jornada, a Qualidade e a Anestesia. Nesta oportunidade, estaremos enfatizando os desafios e as vantagens da implantação de programas que melhorem não só a prática de nossa especilidade, mas que também garantam melhores resultados junto ao paciente.

Participe conosco desta atividade especial dentro da JOSULBRA 2010. Para mais informações sobre o Simpósio de Qualidade, confira todos os seus detalhes logo abaixo. Visite também o nosso site no endereço http://www.josulbra.com.br./

SIMPÓSIO: QUALIDADE EM ANESTESIA

01 DE MAIO DE 2010
JOSULBRA 2010 - CURITIBA

8:00 - 8:30 Palestra: Cenários e perspectivas do setor de Saúde: onde se insere a Anestesiologia?
Dr. José Luiz Gomes do Amaral (SP)
  • Professor Titular da Disciplina de Anestesiologia, Dor e Medicina Intensiva da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo
  • Professor Livre-docente do Departamento de Anestesiologia da Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP
  • Presidente da Associação Médica Brasileira

8:30 - 9:40 Mesa-redonda: O caminho da Anestesiologia na busca da qualidade e da segurança

8:30 - 8:50 A Certificação e o processo de Acreditação
Dr. Luís Antônio dos Santos Diego (RJ)
  • Responsável pelo Núcleo da Qualidade - Divisão de Anestesiologia do Instituto Nacional de Cardiologia (RJ)
  • Doutor em Anestesiologia pela Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" – UNESP
  • Portador do Título Superior em Anestesiologia da Sociedade Brasileira de Anestesiologia

8:50 - 9:20 Qualidade: Como atender os requisitos legais?
Dra. Fabiane Cardia Salman (SP)
  • Gerente de Qualidade - Serviços Médicos de Anestesia (SMA), que atua nos Hospitais Sírio-Libanês, Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Hospital Samaritano (São Paulo) 
  • Coordenadora do Comitê de Qualidade e Segurança - SMA 
  • Especialista em Medicina do Trabalho – USP
  • Pós-graduação em Gestão da Qualidade em Serviços e Sistemas de Saúde - Hospital Albert Einstein – SP
  • Pós-graduação Internacional em Gestão e Políticas de Saúde - Fundação Getúlio Vargas – SP
  • Impacto da Inovação na Competitividade e Grounded Theory – FGV
  • Membro da Subcomissão de Qualidade e Segurança da Sociedade Brasileira de Anestesiologia

9:20 - 9:40 A gestão de risco altera os desfechos do ato anestésico? Dr. Airton Bagatini (RS)
  • Diretor Administrativo da Sociedade Brasileira de Anestesiologia
  • Co-Responsável pelo Centro de Ensino e Treinamento em Anestesiologia do SANE (Serviço de Anestesiologia) de Porto Alegre (RS) 
  • MBA Gestão em Saúde
  • Coordenador da Perspectiva Médico Assitencial do Hospital Ernesto Dornelles de Porto Alegre (RS)
Discussão
Intervalo

10:20 - 12:00 Painel: Tecnologia e comunicação no desenvolvimento de processos de qualidade e segurança no perioperatório

10:20 - 10:45 Desenvolvimento de indicadores para a garantia da qualidade dos processos em anestesia.
Dra. Elaine Aparecida Félix (RS)
  • Professora Adjunta de Anestesiologia do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
  • Responsável pelo Centro de Ensino e Treinamento em Anestesiologia do Serviço de Anestesia e Medicina Perioperatória do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

10:45 - 11:10 O prontuário eletrônico: como ele influencia no processo de Qualidade
Dr. Jurandir Coan Turazzi (SC)
  • Co-responsável pelo Centro de Ensino e Treinamento em Anestesiologia do Serviço de Anestesiologia de Joinville (SC)
  • Presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, Gestão 2008

11:10 - 11:40 Experiência de sucesso em hospital que já implantou seu Programa de Qualidade: Hospital Sírio-Libanês (São Paulo)
Dr. Enis Donizetti Silva (SP)
  • Coordenador do Serviço de Anestesia do Hospital Sírio-Libanês (SP)
  • Membro do Conselho de Ensino e Pesquisa do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês (SP)
  • Vice-Diretor do Departamento Científico da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo (SAESP)

Discussão

14:00 - 15:30 Mini-conferências: Interfaces entre o anestesiologista e o processo de Qualidade

14:00 - 14:25 O que é Qualidade do ato anestésico na perspectiva do paciente e de outros profissionais?
Dr. Getúlio Rodrigues de Oliveira Filho (SC)
  • Doutor em Anestesiologia pela Universidade de São Paulo (USP)
  • Responsável pelo Centro de Ensino e Treinamento Integrado de Anestesiologia da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina
  • Membro da Comissão de Ensino e Treinamento da Sociedade Brasileira de Anestesiologia

14:25 - 14:50 O fator humano na "Era do Conhecimento" inserido na prática anestesiológica
Dr. Rogério Luiz da Rocha Videira (SP)
  • Fellow da Universidade de Pittsburgh (EUA)
  • Médico Anestesiologista do Hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
  • Membro da Comissão de Normas Técnicas da Sociedade Brasileira de Anestesiologia

14:50 - 15:15 O que pensa o anestesiologista sobre a saúde ocupacional?
Dr. Gastão Fernandes Duval Neto (RS)
  • Membro do Comitê Executivo da World Federation of Societies of Anaesthesiologists 
  • Professor Doutor da Disiciplina de Anestesiologia da Universidade Federal de Pelotas (RS) Federation of Societies of Anaesthesiologists

Discussão

16:00 - 18:00 - Oficina: Cirurgia segura salva vidas, com base nas diretrizes da Organização Mundial da Saúde
Dr. Luís Antônio dos Santos Diego (RJ)
Dra. Fabiane Cardia Salman (SP)
Dr. Rogério Luiz da Rocha Videira (SP)

Se desejar, entre em contato com a Secretaria da SBA através do e-mail: sba2000@openlink.com.br

Fonte: E-mail de disparo automático da SBA

22 de março de 2010

Analgesia Adequada no Pós-Operatório e Infecção Hospitalar (10º highlight - 1º Passo)


Estudos demonstram que a dor provoca alterações a nível autonômico, comportamental, imunológico e hemostático, interferindo no tempo de internação do paciente. Metanálise publicada por MORACA em 2003 incluiu estudos que demonstram que a realização de anestesia peridural associada à anestesia geral pode reduzir em até 40% o risco de infecção pulmonar no período pós-operatório de cirurgias de grande porte.

Analgesia pós-operatória
  • O estresse cirúrgico e a dor estimulam o sistema simpático na liberação de catecolaminas capazes de exercer vasoconstricção arteriolar, redução de PO2 tissular e diminuição da atividade fagocitária dos neutrófilos (WEATHERSTONE, 2003).
  • Dose e concentração adequadas de anestésico inalatório e/ou venoso reduzem indiretamente o risco de contaminação da ferida operatória por melhoria na fagocitose.
  • Por outro lado, o anestésico geral em altas concentrações pode afetar o sistema imunológico ao reduzir a fagocitose. Deve-se reduzir as concentrações de gases inalados através da combinação com opióides e, principalmente, pela combinação com anestesia peridural. Considerar a possibilidade de realizar analgesia preemptiva com opióides, AINES e/ou anestésico local (CARLI, 1989; LIU, 1995). 
  • Estudos comprovam que a anestesia espinhal com anestésico local afeta menos a resposta imunológica pós-operatória (NORTCLIFFE, 2003). 
  • A resposta metabólica mais frequente no estresse orgânico é a perda rápida e significativa de massa muscular esquelética, que compõe a principal reserva de proteína do organismo. Ainda não há evidência científica definitiva de que a atenuação do estresse acelere a cicatrização da ferida operatória (NORTCLIFFE, 2003).
  • A anestesia peridural tem se mostrado mais eficaz do que a anestesia geral em impedir a proteólise muscular pós-operatória. Também na anestesia combinada geral e peridural não houve diminuição na síntese protéica, o que valoriza esta tática anestésica na preservação da síntese de colágeno para acelerar a cura da ferida operatória (YOKOYAMA, 2003).
  • Para a analgesia pós-operatória, preferência atual no uso de anestésico local e opióides por via espinhal ou opióides, AINES (anti-inflamatórios não esteroides) por via endovenosa em dose intermitente, infusão contínua ou PCA. 
  • Considerar a possibilidade de analgesia multimodal em função de múltiplos mecanismos de ação sinérgicos. A infusão de anestésico local epidural durante a cirurgia deve continuar no período pós-anestésico por 48 horas, pois atenua a diminuição de síntese protéica muscular, além de reduzir o estresse do paciente. 
  • Injeção intra-articular de lidocaína em cirurgia ortopédica também reduz o grau de dor e aumenta o PO2 tissular com menor risco de contaminação no pós-operatório.
O adequado tratamento da dor no pós-operatório não é apenas uma questão fisiopatológica, é também uma questão ética e econômica. Melhor controle da dor evita sofrimento desnecessário, proporciona maior satisfação do doente com o atendimento e reduz os custos relacionados a possíveis complicações, que determinam maiores períodos de internação, como, por exemplo, a infecção hospitalar (PIMENTA, 2001; BEILIN, 2003).

Referências
AKCA O, MELISCHEK M, SCHECK T et al. Postoperative pain and subcutaneous oxygen tension. Lancet 1999; 354:41–42.
BEILIN B, SHAVIT Y, TRABEKIN E et al - The Effects of Postoperative Pain Management on Immune Response to Surgery. Anesth Analg, 2003; 97:822-827.
CARLI F, EMERY PW, FREEMANTLE CA. Effect of perioperative normothermia on postoperative protein metabolism in elderly patients undergoing hip arthroplasty. Br J Anaesth 1989; 63:276–282.
FERREIRA FAPB, MARIN MLG, STRABELLI TMV, CARMONA MJC - Como o Anestesiologista Pode Contribuir para a Prevenção de Infecção no Paciente Cirúrgico. Rev Bras Anestesiol 2009; 59: 6: 756-766.
LIU SS, CARPENTER RL, MACKEY DC, et al. Effects of perioperative analgesic technique on rate of recovery after colon surgery. Anesthesiology 1995; 83:757–765
MORACA RJ, SHELDON D, THIRLBY R. The role of epidural anesthesia and analgesia in surgical practice. Ann Surg 2003; 238:663.
NORTCLIFFE S-A, BUGGY D J - Implications of Anesthesia for Infection and Wound Healing Int Anesthesiol Clin 2003;41: 31-64.
PIMENTA, CAM et al. Controle da dor no pós-operatório. Rev Esc Enf USP, v. 35, n. 2, p. 180-3, jun. 2001.
SHENKIN A, NEUHAUSER M, BERGSTROM J, CHAO L, VINNARS E, LARSSON J, LILJEDAHL SO, SCHILDT B, FURST P. Biochemical changes associated with severe trauma. American Journal of Clinical Nutrition, Vol 33, 2119-2127, Copyright © 1980 by The American Society for Clinical Nutrition, Inc.
WEATHERSTONE KB, FRANCK LS, KLEIN NJ. Are there opportunities to decrease nosocomial infection by choice of analgesic regimen? Evidence for immunity and pain interactions. Arch Pediatr Adolesc Med 2003; 157:1108-1114.
YOKOYAMA M, ITANO Y, KATAYAMA H. The Effects of Continuous Epidural Anesthesia and Analgesia on Stress Response and Immune Function in Patients Undergoing Radical Esophagectomy. Anesth Analg, 2005; 101:1521-1527

O texto de hoje abordou o 10º (e último) highlight do 1º Passo da Campanha 10 Passos para a Anestesia Segura. No próximo post, traremos o resultado da enquete sobre Higienização das Mãos, disponível aqui no blog até o final do dia de hoje, finalizando assim o conteúdo sobre este 1º Passo: Higienização das Mãos e Uso de Luvas - Anestesia e Infecção Hospitalar. O 2º Passo: Avaliação Pré-anestésica passará a ser então, o tema central deste blog.

Aguardem!

19 de março de 2010

Projeto Anestesia Segura na Rede de Gestão do Cuidado ao Paciente Crítico


O projeto Segurança no Período Perioperatório: 10 Passos para a Anestesia Segura foi apresentado, na última quarta-feira (17), via telemedicina, para a Rede de Gestão do Cuidado ao Paciente Crítico, como programa a ser implantado nos 36 hospitais em 32 cidades do país.

A rede faz parte do programa Hospitais de Excelência a serviço do SUS, cuja iniciativa realizada em parceria com o Ministério da Saúde busca promover o desenvolvimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

O blog Anestesia Segura fomenta a troca de informações e experiências entre as instituições de saúde. Já foi acessado em 13 países e busca a divulgação nacional, com o intuito de promover e perpetuar os conceitos de segurança e qualidade no período perioperatório.

18 de março de 2010

Reunião Clínica do Samador do Hospital Samaritano e SMA


O Instituto de Conhecimento, Ensino e Pesquisa do Hospital Samaritano - SP e o Serviços Médicos de Anestesia (SMA) o(a) convidam a participar da Reunião Clínica do Samador.

Dia 24/03/2010 às 19h30
Sala de Telemedicina do Hospital Samaritano - 1º andar

Analgesia também é segurança. Agende-se para participar!

16 de março de 2010

Apresentação e Treinamento do BIOPATCH - Hospital Sírio-Libanês


Na última sexta-feira, 12 de março de 2010, foi realizada uma Reunião de Apresentação e Treinamento do BIOPATCH – Curativo Impregnado de Clorexidina para Cateter Venoso Central para as equipes do Centro Cirúrgico do Hospital Sírio-Libanês.

A reunião teve a presença da CCIH-HSL, equipe de anestesiologia e cirurgiões do Hospital.

Abaixo disponibilizamos a apresentação do curativo, que apresentou diminuição na taxa de infecção de corrente sanguínea em diversos estudos.

12 de março de 2010

45ª JORNADA SUL BRASILEIRA DE ANESTESIOLOGIA - Simpósio de Qualidade e Segurança em Anestesia


O tema central da 45º JoSulbra, que acontece entre 30 de abril e 2 de maio de 2010, em Curitiba - Paraná, é Qualidade e Anestesia.

O folder abaixo contém a programação detalhada de todos os dias do evento e a ficha de inscrição. As inscrições podem ser feitas pelo site http://www.josulbra.com.br/ ou por telefone e e-mail, conforme instruções no folder.
Folder JoSulbra
View more documents from SMA.

11 de março de 2010

Cuidados na administração de medicamentos e infecção hospitalar (9º highlight - 1º Passo)


As infecções decorrentes da administração de medicamentos e realização de procedimentos invasivos que permitam a sua penetração na corrente sanguínea, linfática ou nos tecidos podem ser responsáveis por infecções sistêmicas graves nos pacientes imunodeprimidos (MOLINA, 2004; CERQUEIRA, 1997). Mais de 50% de todas as bacteremias epidêmicas hospitalares ou candidemias relatadas na literatura, entre 1965 e 1991, foram derivadas de algum tipo de acesso vascular (PHYLLIPS, 2000).

Grande parte das infecções hospitalares (70 a 80%) é causada por microrganismos próprios da microbiota humana, sendo muito importante prevenir essas infecções por meio de medidas simples, porém eficazes, como a antissepsia para a administração de medicamentos, tanto por via intramuscular, como por via endovenosa, vias pelas quais se torna evidente o risco de infecção. Assim, a inadequada preparação local da pele do paciente antes de procedimentos invasivos, contribui para o desenvolvimento de infecções, sendo que uma minuciosa antissepsia deve ser realizada, com adequada escolha do antisséptico (CERQUEIRA, 1997).

A antissepsia no local da aplicação da medicação no equipo de soro também deve ser realizada. Trata-se de um procedimento relativamente simples e barato, que certamente estará evitando possíveis complicações, tais como abscessos, flebites e tromboflebites, que são as infecções mais comuns decorrentes da injeção por via endovenosa (CARVALHO, 2000; CASSIANI, 1998; COIMBRA, 1999; SOUZA & JUNQUEIRA, 2001).

Infecções sistêmicas relacionadas à administração de propofol têm sido relatadas em diversos estudos. O propofol possui como princípio ativo o 2,6 diisopropilfenol, que é formulado em emulsão estéril de óleo de soja, glicerol e lecitina de ovo, o que permite, ao contrário de outras medicações para uso venoso não lipídicas, crescimento bacteriano rápido à temperatura ambiente (SOSIS, 2003; TRÉPANIER, 2003).

Recomendações durante preparo e administração de medicamentos:
  • Higienização das mãos (lavagem ou álcool gel);
  • Desinfecção com álcool isopropílico das ampolas a serem abertas;
  • Antissepsia do local da aplicação da medicação (pele e conexões do soro);
  • Utilização de seringas para um único paciente;
  • Não utilização de agulhas como respiros em tubos de soros ou frascos de soluções, pois esta prática leva à contaminação da solução;
  • Atenção ao ambiente de preparo, que deve ser controlado e especificamente destinado ao preparo de medicamentos (RDC 45/2003);
  • Utilização de sistemas fechados, onde as conexões possuem borrachas “autocicatrizantes” ou ainda medicamentos com dose unitária;
  • Atenção à conservação dos medicamentos, pois alguns possuem risco potencial para se tornarem veículos de transmissão de doenças (propofol).
No próximo post apresentaremos o 10º (e último) highlight do primeiro passo (Anestesia e Infecção Hospitalar). Veja o que já foi publicado até agora:

1. Higienização das mãos
2. Cuidados durante acesso vascular, procedimentos invasivos e bloqueios regionais
3. Controle da glicemia
4. Controle da temperatura corporal
5. Manobras de ventilação e oxigenação
6. Cuidados com os equipamentos e materiais utilizados em anestesia
7. Administração de Antibióticos – dose certa, hora certa, antibiótico certo
8. Estratégias de reposição volêmica – hidratação e transfusão
9. Administração de medicamentos
10. Analgesia Adequada no Pós-Operatório (próximo!)

Referências:

CARDOSO SR, PEREIRA LS, SOUZA ACS, TIPPLE AFV, PEREIRA MS, JUNQUEIRA ALN. Anti-sepsia para administração de medicamentos por via endovenosa e intramuscular. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2006;8(1):75-82. Available from: http://www.fen.ufg.br/revista/revista8_1/original_10.htm.
CERQUEIRA, M C M. Anti-sepsia – princípios gerais e anti-sépticos. In: RODRIGUES, E. A. C.et al. Infecções Hospitalares: prevenção e controle. São Paulo: Sarvier, 1997.
MOLINA, E. Anti-sepsia. In: APECIH - Associação Paulista de Estudos e Controle de Infecção Hospitalar. Limpeza, Desinfecção de Artigos e Áreas Hospitalares e Anti-sepsia. São Paulo: APECIH, 2004.
PHILLIPS, L. D. Manual de Terapia Intravenosa. 2.ed. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001. 551p.
SOSIS MB, BRAVERMAN B. Growth of Staphylococcus aureus in four intravenous anesthetics. Anesth Analg, 1993;77:766-768.
TRÉPANIER CA, LESSARD MR. Propofol and the risk of transmission of infection. Can J Anaesth, 2003;50:533-537.

8 de março de 2010

Estratégias de reposição volêmica/transfusão sanguínea e infecção hospitalar (8º highlight - 1º Passo)


Assim como o bom suprimento de oxigênio melhora a performance das células de defesa e dos anticorpos, a manutenção da perfusão tissular é vital, pois a hipovolemia e hipoxemia atentam contra a integridade de todas as mucosas (intestinal, urinária, brônquica) e favorecem o processo séptico. A carência de ferro e a anemia também agem de formas diversas sobre os componentes da resposta imunológica.

Evitar Sangue e Derivados, na medida do possível
A transfusão de hemáceas e de outros hemocomponentes/hemoderivados deve ser indicada de modo restrito. A transfusão de sangue em pacientes que não exibem sangramento ativo, com doença cardíaca preexistente, com hemoglobina de 7,0 g/dL a 9,0 g/dL e pacientes com escore de APACHE II alto, deverá ser avaliada de forma criteriosa, pois múltiplos estudos tem identificado que a exposição aos produtos alogênicos do sangue apresenta riscos para infecções pós-operatórias, especialmente pneumonias (AMERICAN THORACIC SOCIETY, 2005).

Apesar de não haver diretrizes definitivas, transfusão de sangue e derivados é cogitada no transoperatório, quando o hematócrito (Ht) cai abaixo de 23 e a hemoglobina (Hb) abaixo de 9g/dL acompanhada de importante desequilíbrio hemodinâmico. A mudança imunológica decorrente da transfusão explica incremento da infecção na ferida operatória (11%) nos pacientes transfundidos em relação aos não transfundidos (4%), isto é, um aumento do risco de contaminação em torno de 7% (NORTCLIFFE, 2003; SHEFFIELD, 1994; AITKENHEAD, 2005; VAMVAKAS, 1998).

Alguns autores já sugeriram ainda que os leucócitos presentes no sangue transfundido com seus efeitos imunomodulatórios seriam os responsáveis pela predisposição à infecção da ferida cirúrgica (BLUMBERG, 1996). Metanálise de estudos com distribuição aleatória dos pacientes sobre o assunto não demonstrou superioridade da leucorredução na diminuição de infecção; contudo, quando foram excluídos os pacientes que não necessitaram de transfusões, foi observada redução da infecção da ferida cirúrgica (FERREIRA, 2009; FERGUSSON, 2004).

Evitar Hipovolemia
A pressão de oxigênio alveolar (PaO2) depende da volemia e do débito cardíaco para garantir a perfusão e a oxigenação dos tecidos. Perdas sanguíneas ou de líquido para o terceiro espaço podem estar associadas com menor perfusão e aumento da incidência de infecção cirúrgica. A reposição hidro-eletrolítica transoperatória deve ser criteriosa, buscando manter a homeostase, a não ser na presença de doença concomitante descompensada a nível cardíaco e/ou renal (ASA > III) (NORTCLIFFE, 2003; JONSSON, 1991; SCHMIED, 1996).

Devemos sempre buscar a manutenção da euvolemia baseada em parâmetros clínicos e de monitorização e manter precaução em relação à reposição hídrica agressiva com cristaloides e/ou coloides, já que esta pode diminuir a função pulmonar e levar a edema de alças intestinais, atrasando a recuperação de sua função.

Evitar Anemia
A resposta imune envolve mecanismos de defesa intimamente relacionados, como fagocitose, produção de anticorpos e resposta imune celular mediada por linfócitos T do sangue e dos tecidos periféricos. Existem fortes evidências de que a carência de ferro está associada a uma diminuição da atividade bactericida dos leucócitos polimorfonucleares e a um déficit na resposta imunocelular, especialmente contra S. aureus e C. albicans (WEINBERG, 1992).

Tem sido demonstrado, em diversos estudos, que a anemia no período intra e pós-operatório é fator de risco para o desenvolvimento de infecção hospitalar. Por outro lado, tem sido cada vez mais evidente a participação central dos monócitos e macrófagos na patogênese da anemia (CANÇADO, 2002; FILLET, 1989), comprovando a associação entre transfusões e infecção nos pacientes submetidos à operação cardíaca, ortopédica, trauma e colorretal, bem como diminuição da infecção pós-operatória com utilização de sangue autólogo (BLUMBERG, 1996).

Diminuir quando possível o gatilho transfusional, dar preferência a sangue estocado por menos de 14 dias e, quando possível, utilizar filtros de leucócitos. Deve-se considerar ainda a transfusão com sangue autólogo, visto que o risco de infecção é menor quando comparado com o alogênico (KOCH, 2008).

Continue acompanhando os 10 highlights:
1. Higienização das mãos
2. Cuidados durante acesso vascular, procedimentos invasivos e bloqueios regionais
3. Controle da glicemia
4. Controle da temperatura corporal
5. Manobras de ventilação e oxigenação
6. Cuidados com os equipamentos e materiais utilizados em anestesia
7. Administração de Antibióticos – dose certa, hora certa, antibiótico certo
8. Estratégias de reposição volêmica – hidratação e transfusão
9. Administração de medicamentos (próximo!)
10. Analgesia Adequada no Pós-Operatório

Referências:
AITKENHEAD AR. Injuries associated with anaesthesia. A global perspective. Brit J Anaesth, 2005; 95:95-109.
AMERICAN THORACIC SOCIETY. Guidelines for management of adults with hospital-acquired, ventilator-associated, and healthcare-associated pneumonia. Am J Respir Crit Care Med 2005; 171: 388-416.
BLUMBERG N, HEAL JM. Immunomodulation by blood transfusion: an evolving scientific and clinical challenge. Am J Med, 1996; 101:299-308.
CANÇADO RD, CHIATTONE CS. Anemia de Doença Crônica. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.24 no.2 São José do Rio Preto Apr./June 2002.
FERREIRA FAPB, MARIN MLG, STRABELLI TMV, CARMONA MJC - Como o Anestesiologista Pode Contribuir para a Prevenção de Infecção no Paciente Cirúrgico. Rev Bras Anestesiol 2009; 59: 6: 756-766.
FILLET G, BEGUIN Y, BALDELLI L. Model of reticuloendothelial iron metabolism in humans: abnormal behavior in idiopathic hemochromatosis and in inflammation. Blood, 1989; 74:844-851.
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5 de março de 2010

Anestesia Segura no Fórum de Informatização Assistencial do Hospital Sírio-Libanês

O projeto Segurança no Período Perioperatório: 10 Passos Para a Anestesia Segura será apresentado e discutido durante o Fórum de Informatização Assistencial do Hospital Sírio-Libanês.

O Fórum acontece hoje, dia 05 de março de 2010, das 15h às 17h na Sala da Telemedicina no Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio-Libanês.

Estarão presentes a Diretoria Técnica, Gestores Médicos, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia/Habilitação, Fonoaudiologia, Nutrição e Tecnologia da Informação.

A intenção é definir quais são as necessidades do projeto e suas adequações referentes à tecnologia de informação, com intuito de melhorar a comunicação transdisciplinar e aumentar a segurança no período perioperatório.

4 de março de 2010

Treinamento cateter periférico Introcan® Safety™


Prezados anestesiologistas,

Será realizado treinamento para os anestesistas do cateter periférico Introcan® Safety™ nos dias 15 e 16/03/10, das 10h às 12h e das 16h às 17h, no Centro Cirúrgico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

A partir de março de 2010, o produto Insyte®, utilizado para punção venosa, será substituído pelo Introcan® Safety™ no hospital. Trata-se de um cateter periférico com sistema de segurança que minimiza o risco de perfurações acidentais dos profissionais de saúde e infecções de corrente sanguínea.

Segue abaixo material referente ao treinamento.

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